Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Equação luminosa

Tirei ao ar um pedaço de luz. Abri
a caixa da estrofe e meti-o lá dentro. Depois,
despejei as palavras do poema para o
meio da luz, agitei a caixa, e vi
o brilho das vogais derramar-se pelas
consoantes, as sílabas soltarem
súbitas cintilações, ecos de lume
abafarem a sombra das consoantes.

Quando acabei, pus o caderno aberto
sobre a mesa, abri a caixa, deitei o
que lá estava sobre o papel e fiquei com
um poema luminoso nas mãos.