Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Segundo poema de Setembro

Tens quase um poema escrito
numa página
que se abre na tua vida
— ou na tua morte
versos sem importância que te fizeram ágil
a sentir o que o mundo desde sempre te deu.

Mas mereceste-os ao menos
naquilo que diziam? Ou
fugiste pela estrada que conduz à montanha
ou procuraste o amor sabendo-o improvável
fonte? Ou alimentaste-te do sangue e da cobiça?

Tens quase um poema escrito
no espelho do teu sangue
e há uma criança lenta que te atravessa a tarde.
Mas a cegueira impede que vejas junto às sombras
o que uma luz demasiada ali escreveu para ti.