DO MAU METANO
O ar está mau.
Mecha que pega; bomba a explodir;
pega-se o fogo, passa fronteiras, todos se queimam.
Porém, pior que queimadura,
é mau médico impingir
com falas mansas, seu mau método de cura.
É certo que o extremismo não olha a meios,
sejam bomba, negacionismo, caricatura,
para que à paz entre os homens de boa vontade
feio dano possa infligir.
Que por ofensa se peça, do mau-gosto ou fito mau,
mea-culpa ao pecador, facilmente se concede;
ora, a seguir sucede
que não se tendo o país inteiro dado como culpado
nem tendo aí brotado a censura,
vieram gritos, choros fingidos,
histéricos apelos à vingança,
como num mau melodrama,
mas fazendo vau para real calamidade.
Exigem que nos curvemos,
encolhendo a liberdade?
Olha a bela medicina!
Que mau mestre vos ensina!
E pois que o profeta, uma vez,
delegou num homem mau,
mezinha não há que evite a matança
dos Beni Qurayzah de hoje,
os que esperam para ver:
houve então carnificina
só porque no mesmo não crer
e privar com invasores
traz mortal desconfiança.
Isto num livro aprendemos.
Noutro livro ainda, lemos
que com ar, dentro de mina,
é mau metano haver.
(Será a guerra a nossa sina?
Ela é santa, e una e trina:
o seu passado já me cansa.)
Ah!, cruzados nos não tornemos;
nem os de lá, seita assassina.
Mecha que pega; bomba a explodir;
pega-se o fogo, passa fronteiras, todos se queimam.
Porém, pior que queimadura,
é mau médico impingir
com falas mansas, seu mau método de cura.
É certo que o extremismo não olha a meios,
sejam bomba, negacionismo, caricatura,
para que à paz entre os homens de boa vontade
feio dano possa infligir.
Que por ofensa se peça, do mau-gosto ou fito mau,
mea-culpa ao pecador, facilmente se concede;
ora, a seguir sucede
que não se tendo o país inteiro dado como culpado
nem tendo aí brotado a censura,
vieram gritos, choros fingidos,
histéricos apelos à vingança,
como num mau melodrama,
mas fazendo vau para real calamidade.
Exigem que nos curvemos,
encolhendo a liberdade?
Olha a bela medicina!
Que mau mestre vos ensina!
E pois que o profeta, uma vez,
delegou num homem mau,
mezinha não há que evite a matança
dos Beni Qurayzah de hoje,
os que esperam para ver:
houve então carnificina
só porque no mesmo não crer
e privar com invasores
traz mortal desconfiança.
Isto num livro aprendemos.
Noutro livro ainda, lemos
que com ar, dentro de mina,
é mau metano haver.
(Será a guerra a nossa sina?
Ela é santa, e una e trina:
o seu passado já me cansa.)
Ah!, cruzados nos não tornemos;
nem os de lá, seita assassina.


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