Primavera urbana
Atravessando a cidade em obras,
Campo Pequeno, João vinte e um,
com as árvores caídas e tapumes,
de nada servia o sol, vagarosos
operários tapavam-no em cima
de guindastes que rodavam
sobre estaleiros, andaimes,
capatazes aos gritos, lá dentro,
e por fim, dando a volta à praça,
avenida de Berna, a direito,
autocarros e motas esperavam,
sinais vermelhos, um tédio
de garagens, portas amovíveis,
brasileiras de umbigo solto
nas paragens, discutindo a vida
sob a guitarra do Taveira,
em operações de deve e haver
nas agendas de encontros
com um toque a rebate nas bolsas
até chegar à igreja de Fátima,
uma reza do Almada em vitral,
e os táxis a virar na curva, não
sabem para onde ir, ao contrário
de quem dá com a Gulbenkian
e entra lá dentro, depois de jardins
e lagos, e um casal a beijar-se a
saber que todos o vêem detrás
dos vidros, e não se importa.
Campo Pequeno, João vinte e um,
com as árvores caídas e tapumes,
de nada servia o sol, vagarosos
operários tapavam-no em cima
de guindastes que rodavam
sobre estaleiros, andaimes,
capatazes aos gritos, lá dentro,
e por fim, dando a volta à praça,
avenida de Berna, a direito,
autocarros e motas esperavam,
sinais vermelhos, um tédio
de garagens, portas amovíveis,
brasileiras de umbigo solto
nas paragens, discutindo a vida
sob a guitarra do Taveira,
em operações de deve e haver
nas agendas de encontros
com um toque a rebate nas bolsas
até chegar à igreja de Fátima,
uma reza do Almada em vitral,
e os táxis a virar na curva, não
sabem para onde ir, ao contrário
de quem dá com a Gulbenkian
e entra lá dentro, depois de jardins
e lagos, e um casal a beijar-se a
saber que todos o vêem detrás
dos vidros, e não se importa.


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